sexta-feira, janeiro 18, 2008

terça-feira, janeiro 08, 2008

Meu desejo é decepar aquelas mãos. De engraçado isso nada tem, mas o que vale é a satisfação / punição mesmo que tardia. Deceparia aquelas mãos com um golpe cada. O sangue, agora, como aliado trabalharia.

jorrar
v. int.,
sair em jorro, com ímpeto;
formar bojo ou jorramento;
besuntar com jorra;

v. tr.,
fazer sair com ímpeto.

Tal verbo, conseqüência primorosa do até então imaginário ato, me atrai tanto como uma memória perdida. Imagem recorrente / fissura sem proporções ou cor definidas. No entanto, o futuro uso das mãos ainda é uma dúvida. Decepar aquelas mãos é uma meta que ultrapassa qualquer raciocíonio.

segunda-feira, janeiro 07, 2008

"Prá onde vão os trens, meu pai?
Para Mahal Tami, Cam rí, espaços no mapa, e depois o pai ria:
Também prá lugar algum meu filho, tu podes ir
e ainda que se mova o trem tu não te moves de ti. "

(Tu não te moves de ti - Hilda Hilst)

sábado, janeiro 05, 2008

Assim como quem não quer demonstrar interesse algum, pergunta o que ele anda fazendo da vida. De modo seco e tão banal quanto à pergunta responde que não seria nada do que ela não faria, justamente o que mais poderia temer. Não marcaram nada, troca de sentenças apenas, nada de muito inspirador ou que valesse como apaziguador de ânimos, pelo contrario. Prosseguiram por cerca de sete longos minutos, o que antes poderia ser um telefonema de um mero oi, agora parecia um confinamento em uma sala branca de alto teto. Não que agissem como estranhos, não mesmo, a impressão era oposta, um campo minado transparente e lúcido. Não havia como evitar, mesmo com sua maquina de vida por desenhos ortográficos tão próxima de si. Sem grandes progressos, somente surpresas nem tão agradáveis para um dos lados da linha, os sete dilatados minutos chegavam ao fim com uma desculpa qualquer da antes ansiosa e agora nada otimista pessoa. Também surpreso pelo que tinha acabado de acontecer, jamais poderia ter imaginado tal rumo em suas folhas amarelas, e agora sem sono, opta por passar a manhã observando o ser vivo mais próximo que consegue enxergar sem precisar se levantar, seu peixe Único.

sábado, dezembro 22, 2007

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Dia desses no bar próximo à faculdade um ser de humor etilicamente alterado se aproximou e começou a dizer o que pensava sobre mim, baseando-se em observações realizadas pelo campus da universidade. Não era nenhum desconhecido, só um aluno do quarto ano de Radialismo recém (quase) formado. Pequena nota, se forma em Radialismo o ser que cursa Comunicação Social em Rádio e Televisão, bonito não?. Voltando da digressão explicativa inútil, prosseguiu falando, tudo com muito humor, mas sem ofender em nenhum momento. Em determinado ponto o humor cessa e ele diz que me definirá, pergunta se quero saber. Claro, respondo. Levanta a mão em direção a minha testa e diz que por trás daquele cabelo há um grande “FODA-SE” estampado pra quem quiser (ou não) ver. Que a cada passo meu é um Foda-Se a mais, um “se quiser falar comigo, beleza. Se não, Foda-Se”. Que admirava isso em mim. A garota sentada ali na minha frente concordou, e disse que também gostava disso. Eu sem saber o que falar ou fazer, ri, única saída. De ambos os seres, não sou intimo de nenhum, apenas colegas, por assim dizer. Não foi nenhuma grande surpresa quanto às declarações, mas não deixa de ser deprimente uma aura inconsciente dessas.

quinta-feira, dezembro 20, 2007


Pt. I

(ou Pessoa Pessoa Pessoa)

O método é quase sempre o mesmo. Entra, passa um, dois, passa três, dezenas, até chegar ao fim do veiculo de transporte coletivo urbano. Procura o melhor espaço para não ser incomodado, seja de qualquer forma, e então fica por ali mesmo, em pé. Não reclama. Usualmente saca um livro da bolsa e prossegue na sua leitura. Segundos antes de ler a primeira sentença analisa as possibilidades possíveis de um dos assentos ser desocupado, leva em consideração feições e vestimentas, pré-conceito, entretanto os acertos ficam na casa dos noventa porcento.



Pt. II
(ou Pessoa)

Ontem foi a mesma coisa, entra, passa, saca, analisa. Não deu outra, em dois pontos um ser levanta desocupando o assento. No entanto, um puto de merda qualquer voa em direção ao assento antes mesmo que eu consiga me mover. Ok, tudo bem, deixa o puto de merda sentar. Ele pode ter um banco, mas eu tenho um cérebro. O cenário é São Paulo, capital, pós quatro da tarde, trânsito carregado e um belo sol (belo segundo os outros). O puto ficara em um banco privilegiado pelo sol latente enquanto nada anda. Um ponto a mais e o assento oposto se desocupa, o puto olha, quase que baba, dou um passo e me sento. Ele continua olhando, desolado, abro minha bolsa e tiro uma garrafa de água. Bebo sem vontade, mas a cara não corresponde. Pobre ser, puto de merda, com sol na testa, sem sorte nem água. Volto a ler.


quarta-feira, dezembro 19, 2007

quinta-feira, dezembro 13, 2007

- Segunda - Feira (10/12)

Palestra: A Crise Estrutural do Ensino Brasileiro

- Terça - Feira (11/12)

Prova: Geografia I - Fordismo e Acumulação Flexível

- Quarta - Feira (13/12)

Prova: Política I - Locke e O Segundo Tratado Sobre o Governo Civil


- Quinta - Feira ( 14/12)

Prova: História I - Trabalho Compulsório no Império Romano / Atividade: Feudalismo

- Sexta- Feira (15/12)

Tentativa de substituição de professores de Sociologia e Política Brasileira e Filosofia I

- Sábado (16/12)

Lançamento e debate de A Ideologia Alemã, obra (finalmente) completa e com preço promocional
Atividade: Geografia I - Relatório sobre trabalho de Campo

Domingo (17/12)

Prova: Antropologia I - A Ideologia Alemã

- Segunda - Feira (18/12)

Prova: Sociologia I - A Comuna

- Durante toda a semana:
Exposição: Gontran Netto
Local: Fafil




Dormir?
Quem precisa?



E para quem quiser perguntar, são apenas estes os saldos da nossa greve.
O sangue foi, literalmente, derramado em vão...

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Resumindo, meu banho foi definitivamente invadido.

O que parecia impossível não é mais.

quinta-feira, novembro 29, 2007

Maria Carolina, uma chamativa morena de olhos verdes, quer colaborar com a edição do Teletón de seu pais, o Chile. Maria pretende doar uma quantia arrecadada com vinte e sete horas do seu trabalho, algo em torno de cinco mil e quatrocentos dólares . "Vou poder colaborar com meu trabalho em uma tarefa que me emociona", disse ela. Maria, apenas pra constar, trabalha vendendo “amor” nas noites chilenas. O apresentador de Tv Don Francisco, responsável pelo Teletón no pais, diz que a idéia é fora de propósito e não vai aceita-la. "Como pode questionar alguém que quer trabalhar para uma causa nobre?", a moça rebate. No mínimo, justo.

sábado, novembro 24, 2007

Ismália

Quando Ismália enlouqueceu,

Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...

Alphonsus de Guimaraens

terça-feira, novembro 13, 2007

Eu também receberia as piores notícias dos seus lindos lábios !

segunda-feira, novembro 12, 2007

Quando descobri o Devo, cerca de oito anos atrás, pensei comigo mesmo que ali estava mais uma puta banda que jamais veria ao vivo, no palco. Errei, pra minha própria sorte e deleite. Oito anos pode parecer pouco pra muita gente, principalmente quando se trata de uma banda do começo da década de setenta. Oito anos atrás eu tinha doze anos. Descobri o Devo sozinho, sem ninguém me apresentar, assim como aconteceu com as minhas outras bandas prediletas. Filho único que sou, não tive a influencia de irmãos mais velhos ou coisas do tipo. Lembro de como fiquei ao encontrar, e comprar, meu primeiro vinil do Devo, no centro de São Paulo. Sete reais, uma barganha. Do show, me restaria apenas a frustração de não terem tocado Time Out For Fun, mas se comparado a minha antiga idéia, de que nunca poderia assistir um show deles, isso se torna algo minúsculo.

sábado, novembro 10, 2007

sexta-feira, novembro 09, 2007

quarta-feira, novembro 07, 2007

Campo de flores

Deus me deu um amor no tempo de madureza,
quando os frutos ou não são colhidos ou sabem a verme.
Deus - ou foi talvez o Diabo - deu-me este amor maduro,
e a um e outro agradeço, pois que tenho um amor.

Pois que tenho um amor, volto aos mitos pretéritos
e outros acrescento aos que amor já criou.
Eis que eu mesmo me torno o mito mais radioso
e talhado em penumbra sou e não sou, mas sou.

Mas sou cada vez mais, eu que não me sabia
e cansado de mim julgava que era o mundo
um vácuo atormentado, um sistema de erros.
Amanhecem de novo as antigas manhãs
que não vivi jamais, pois jamais me sorriram.

Mas me sorriam sempre atrás de tua sombra
imensa e contraída como letra no muro
e só hoje presente.
Deus me deu um amor porque o mereci.
De tantos que já tive ou tiveram de mim,
o sumo se espremeu para fazer um vinho
ou foi sangue, talvez, que se armou em coágulo.

E o tempo que levou uma rosa indecisa
a tirar sua cor dessas chamas extintas
era o tempo mais justo. Era tempo de terra.
Onde não há jardim, as flores nascem de um
secreto investimento em formas improváveis.

Hoje tenho um amor e me faço espaçoso
para arrecadar as alfaias de muitos
amantes desgovernados, no mundo, ou triunfantes,
e ao vê-los amorosos e transidos em torno,
o sagrado terror converto em jubilação.

Seu grão de angústia amor já me oferece
na mão esquerda. Enquanto a outra acaricia
os cabelos e a voz e o passo e a arquitetura
e o mistério que além faz os seres preciosos
… visão extasiada.

Mas, porque me tocou um amor crepuscular,
há que amar diferente. De uma grave paciência
ladrilhar minhas mãos. E talvez a ironia
tenha dilacerado a melhor doação.
Há que amar e calar.
Para fora do tempo arrasto meus despojos
e estou vivo na luz que baixa e me confunde.

Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, novembro 06, 2007


C u m p l i c i d a d e

cum.pli.ci.da.de
sf (cúmplice+i+dade)

1 Ato ou qualidade de cúmplice.
2 Participação na execução ou tentativa de um crime.

segunda-feira, novembro 05, 2007


I n f e r n o

Canto I (Trecho Inicial)

No meio desta vida
me vi perdido numa selva escura,
solitário, sem sol e sem saída.


Dante Alighiere

sexta-feira, novembro 02, 2007

Às vezes, de noite, olhava-se no espelho para ter certeza de existia. Olhava-se nos olhos, tocava os cabelos, as mãos passavam nos rosto, entrava na boca. Sentia os músculos do pescoço, a nuca endurecida. A “saboneteira”, parte mais bonita em uma mulher para ela. A sua não era tão delineada, não gostava. Tocava os seios, que fingia não gostar. Os braços, a barriga. Brincava um pouco com o próprio umbigo, como se ele pudesse se transformar numa piscina muito funda. Escorregava a mão pelo ventre, lentamente. Sentia as pernas grossas, os joelhos. Sentava-se no chão e brincava com os dedos dos pés. Olhava bem para as próprias mãos, para certificar-se de que elas estavam onde deveriam estar. Depois de completamente vistoriada, ainda não se acreditava viva.