domingo, junho 29, 2008

Frio é assim, as extremidades parecem querer quebrar e partir por ai sem você, ombros arqueados e o queixo beija o colo. Frio é assim, relativo. Penso então na relatividade do frio e durmo, ouvidos abertos e pés cobertos.

segunda-feira, junho 23, 2008

Existem certas coisas que costumam facilitar o contato entre os chamados seres humanos (além de um fator meramente pessoal que atende por desinibição) como cigarros, café e cerveja. Existem até mesmo aqueles que conseguem combinar todos esses itens em apenas uma existência, e eu digo, agraciado seja essa capacidade alheia que não me compete. Afinal eu não fumo, não bebo café, nem mesmo suporto cerveja. Sem nem mencionar a tal desinibição, a qual nunca fui apresentado. Some a isso mais algumas dezenas de fatores, como personalidade nada abrasiva atrelado a uma falta de senso (de humor) comum. ¿Por esta breve descrição nada minuciosa pode-se concluir que sou um fracasso no tal social? Possivelmente.

domingo, junho 22, 2008

quinta-feira, junho 19, 2008

Não existe nada pior do que ficar sozinha mesmo acreditando estar acompanhada.

quarta-feira, junho 11, 2008


Ânsia pior não existe do que a própria desconhecida.


quinta-feira, junho 05, 2008

terça-feira, junho 03, 2008

quarta-feira, maio 21, 2008

Tudo soa tão sem propósito, repetições e mais repetições ao ponto de não mais possuírem um ponto referencial, manifestações nulas por completo que acabam por gerar um meio sustentável apenas pelo sonho mascarado de personalidade crível. Mas se eu mesmo digo que se o tudo não é nada, ele é muito, há uma grande possibilidade de exagero próprio. Desilusão ou não (auto diagnósticos sempre são perigosos), ludibrie-me.

quarta-feira, maio 14, 2008

Não me incomodaria em ter sido criado como um personagem de sitcom, daquelas que duram o que devem duram e são canceladas, ao invés de nascer como ser humano com perspectiva de vida além dos sessenta anos.

segunda-feira, maio 12, 2008


Eu poderia ter alzheimer, explicaria muita coisa.
Ou não?


domingo, maio 11, 2008

Deprimente é:

A) Ter a capacidade de usar calças de moletom com uma camiseta preta surrada de uma banda qualquer como o KISS.

B) Se interessar/envolver com um cara vestido como na primeira alternativa.

C) Formar um casal, unindo os dois seres das alternativas anteriores e, perambular pela cidade sem qualquer noção de bom senso.

D) Todas as alternativas anteriores mais alguma que por motivos éticos não deve ser publicada aqui.

segunda-feira, maio 05, 2008

Era uma vez um ser pouco agraciado em termos de cabelo, intelecto, bom senso e tantas outras características que podem ser tidas como de bom grado, sejam elas físicas ou não físicas. Difícil seria alguma característica, boa ou nem tanto, conseguir se sobrepor àquela protuberância abdominal e sua irrefutável calvice. Sua existência e convívio com terceiros eram um grande mistério para a sociedade, talvez por culpa dos genes, do meio, ou um conjunto de fatores que desafia a lógica humana (se é que essa existe). Tendo em vista que quase nunca corpo e mente possuem a mesma idade, este ser de que falo com pouca ou nenhuma graça, foi intimado a realizar alguns exames médicos após algumas severas suspeitas que poderiam colocar sua existência em cheque. Realizado os exames, o resultado pronto encontra-se nas mãos do então chamado doutor, ou o que o valha. O médico então pergunta para o ser de pouca ou nenhuma graça, qual prefere primeiro: a boa ou a má noticia? O ser de pouca ou nenhuma graça opta pela má como primeira noticia a ser ouvida. Bom, sinto em lhe informar, mas o senhor está com câncer. Noticia recebida porém não digerida como era de ser esperado, porém obviamente não desejada. Ok doutor, me diga então qual seria a boa noticia, se é que ela pode existir. O ser vestido de branco da cabeça aos pés, como um pai de santo academicamente diplomado, um metro e oitenta e sete de altura abre um longo sorriso, ainda vendo a luz. Meu querido, veja pelo lado bom, cabelo algum você perderá. Moral da estória? Não tenho idéia.

quinta-feira, maio 01, 2008

Pamela tinha dez anos quando descobriu o quão estúpida ela poderia ser em um único dia. Não que fosse estúpida todo o tempo, pelo contrário, ela sempre foi do tipo que os adultos adoram chamar de “avançada para a idade”. Mas eu, enquanto autor, não me sinto no direito de revelar a razão pela qual Pamela descobriu o quanto estúpida ela poderia ser em único dia. Não que uma revelação como esta possa alterar minha relação com ela, mas como é de conhecimento geral, personagens são tão temperamentais quanto os seus autores. Ou seja, por precaução (leia-se pavor literariamente camuflado) é recomendável profundo e total respeito por e com eles.

quarta-feira, abril 30, 2008

Sei que é difícil de entender, mas será mesmo impossível não conseguir deixar de se envolver ao mesmo tempo saber que isso pode ser um caminho sem volta? Não conseguir ficar calada e ao mesmo tempo saber que deveria?

Será mesmo impossível tomar a frente de algumas coisas por isso se tornar necessário, porém relutar ao fazer isso?

terça-feira, abril 29, 2008


“A universidade é deliquescente:
não funcional no plano social do mercado e do emprego,
sem substância cultural nem finalidade de saber.”

Jean Baudrillard


sábado, abril 26, 2008

Existe uma tendência humana de apenas se considerar alguém, quando se está com alguém. Não falo simplesmente em termos de relacionamento sexual, homem versus mulher, ou quaisquer outras combinações. O ser por si só não existe, ele precisa de algum tipo de afirmação. Ele pode se considerar auto-suficiente, independente, livre de outras pessoas, ou vínculos. No entanto, não passa de mais um ser em busca da afirmação de ser. Isso soa como auto ajuda, ou mesmo auto depreciativo, mas vou me utilizar de uma frase feita - tão comum nesse tipo de texto - como exemplificação para tudo o que disse, ou que tentei dizer:


“A solidão é uma coisa boa,

mas precisamos de alguém para nos dizer isso.”

Honoré de Balzac



Tudo não passa de uma questão de representação. Representemos pela existência. Somente assim podemos nos permitir a tristeza como amiga antes de dormimos sozinhos. Mais uma frase:


“A solidão gera inúmeros companheiros em nós mesmos.”
Carlos Drummond de Andrade


Tal busca, desesperada ou nem tanto, não me deprime. Frustrante é a representação pela representação, o fingir como ideal ou muralha. Ou ainda, o sepultamente do ser como único, em troca do nascimento de um duplo.

sexta-feira, abril 25, 2008

quinta-feira, abril 24, 2008

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quarta-feira, abril 23, 2008

terça-feira, abril 22, 2008

Como se lembrar do que jamais teve e fingir surpresa. O que me falta é a surpresa de amanhã chegando sem avisar. O que me falta é o que jamais conheci pessoalmente. Lembrar da surpresa como se a falta balbuciasse tristeza. Insípido. O que me falta é lembrar de esquecer. Lembrar e fingir respectivamente pela surpresa, como se recordasse do que jamais tive. Pessoalmente a falta me surpreende. O que me falta é pessoal. Na verdade nada me falta, me falta somente uma verdade como surpresa.